Qual a bitola de fio para ar-condicionado? Guia definitivo (com tabela, passo a passo e exemplos)
Na maioria das instalações residenciais split inverter em 220 V, até 12.000 BTU e com percurso curto (≈ até 15 m), 2,5 mm² de cobre (PVC 70 °C) costuma atender, desde que o circuito seja dedicado, o disjuntor esteja corretamente dimensionado e a queda de tensão se mantenha ≤ 4%. Para 18.000 BTU, 2,5 mm² ainda pode servir em trajetos curtos; a partir de 25–30 m (ou em 127 V), 4 mm² geralmente vira a escolha segura. Modelos 22–24 k tendem a pedir 4 mm² e 30–36 k pedem 6 mm² (ou mais). Sempre confira a corrente nominal no manual do fabricante e dimensione pelo método (a seguir). A NBR 5410 exige respeito a limites de queda de tensão e adoção de circuito exclusivo para o equipamento; todos os fabricantes também exigem disjuntor dedicado.
⚠️ Atenção: este guia foi escrito para instalações brasileiras (condutor de cobre, isolamento PVC 70 °C, método de instalação B1/B2 mais comuns em residências). Em caso de dúvidas, consulte um eletricista habilitado e siga o manual do fabricante do seu aparelho — ele prevalece sobre qualquer regra geral.
Por que a bitola certa importa (e o que a norma pede)
- Segurança e garantia: usar cabo subdimensionado aumenta aquecimento, pode disparar o disjuntor e colocar a garantia do equipamento em risco. Manuais de grandes marcas pedem disjuntor dedicado e instalação por técnico qualificado.
- Queda de tensão: a NBR 5410 limita a queda de tensão nos circuitos terminais a máximo 4% (em redes de BT com ponto de entrega público é 5% até a entrada e 4% nos terminais). Isso é decisivo em ar-condicionado porque os cabos costumam percorrer longas distâncias do QDC até a condensadora. r
- Circuito dedicado e proteção: a NBR 5410 determina o correto seccionamento/ proteção contra sobrecorrente e curto-circuito e a divisão da instalação em circuitos distintos; fabricantes exigem disjuntor dedicado.
A resposta rápida (recomendações práticas sob condições típicas)
Cenário de referência: condutor cobre com isolamento PVC 70 °C, método B1 (em eletroduto embutido), circuito dedicado, ΔV ≤ 4%, temperatura ambiente 30 °C, instalação residencial, tensão 220 V, distância elétrica (ida+volta) aproximada de 30 m (15 m do QDC até a condensadora).
| Capacidade (BTU) | Tensão | Trajeto curto (≤ 15 m) | Trajeto médio (~ 30 m) | Observações |
|---|---|---|---|---|
| 9.000 | 220 V | 2,5 mm² | 2,5 mm² | Geralmente baixa corrente; confira manual. |
| 12.000 | 220 V | 2,5 mm² | 2,5–4 mm² | 4 mm² se corrente nominal mais alta ou trajeto longo. |
| 18.000 | 220 V | 2,5–4 mm² | 4 mm² | Em muitos casos 4 mm² é o ponto ótimo. |
| 22–24 k | 220 V | 4 mm² | 4–6 mm² | Disjuntor crescerá conforme corrente do modelo. |
| 30–36 k | 220 V | 6 mm² | 6 mm²+ | Pode exigir 10 mm² em trajetos maiores. |
| 9–12 k | 127 V | 4 mm² | 4–6 mm² | A corrente dobra vs 220 V → bitolas maiores. |
| 18 k | 127 V | 6 mm² | 6 mm²+ | Muito sensível a distância; confira ΔV. |
Use a tabela apenas como partida. A confirmação final sai do dimensionamento passo a passo abaixo (capacidade e queda de tensão) e do manual do seu aparelho — por exemplo, há 12 k em 127 V com corrente máxima de ~15,5 A, o que muda o jogo.
Como dimensionar a bitola de fio para ar-condicionado (passo a passo)
1) Comece pela corrente nominal do seu modelo
Olhe as especificações elétricas do manual (corrente nominal/máxima). Marcas como Midea/Springer trazem a corrente máxima na tabela técnica — p.ex., uma máquina de 12 k pode ter 15,5 A (caso 127 V). Nunca chute a corrente: use a do fabricante do seu exato modelo e tensão.
Dica: Inverter costuma reduzir picos de partida, mas o dimensionamento continua guiado pela corrente nominal/máxima informada pelo fabricante (e não por “potência em BTU”).
2) Verifique a capacidade do cabo (não pode “cozinhar”)
Com a corrente em mãos, compare com a capacidade de condução de corrente do cabo no método de instalação correspondente. Para residências, o método B1 (cabos/circuitos em eletroduto embutido) é o mais comum. Como referência para PVC 70 °C (cobre):
– 2,5 mm² → até 21–24 A (B1/B2)
– 4 mm² → até 28–32 A
– 6 mm² → até 34–41 A
(Valores típicos; confira a tabela do fabricante de cabos e aplique fatores de correção quando houver agrupamento/temperatura diferente de 30 °C.)
3) Cheque queda de tensão no comprimento real do circuito
Mesmo com a capacidade “sobrando”, um cabo pode ser reprovado por ΔV se o percurso for longo. A NBR 5410 estabelece 4% como limite nos circuitos terminais – e isso inclui o do seu ar-condicionado. Para estimar ΔV de forma prática, use a queda tabelada (V/A·km) do cabo:
Fórmula prática
ΔV (V) = (queda tabelada em V/A·km) × I (A) × comprimento (km)
ΔV (%) = ΔV (V) ÷ V do circuito × 100
Fabricantes de cabos publicam tabelas de V/A·km (por seção e por cos φ). Ex.: em B1 e cos φ ≈ 0,8, 2,5 mm² tem tipicamente ≈ 14,3 V/A·km, 4 mm² ≈ 9,0 V/A·km, 6 mm² ≈ 6,0 V/A·km.
Exemplo rápido de ΔV: circuito 220 V, I = 9 A, 30 m (ida+volta ≈ 0,03 km):
• Para 2,5 mm²: ΔV ≈ 14,3 × 9 × 0,03 ≈ 3,9 V → 1,8% (ok).
• Para 127 V, a mesma corrente representaria 3,1% (ainda ok), mas lembre que em 127 V a corrente costuma ser maior, o que empurra a ΔV para cima.
4) Dimensione disjuntor e DR/DPS (proteção)
Selecione o disjuntor com base na corrente do circuito e na seção do condutor, atendendo proteção contra sobrecarga e curto-circuito conforme a NBR 5410 e normas de disjuntores (p. ex., NBR NM 60898 / IEC 60947-2). Circuito dedicado para o ar-condicionado é exigência recorrente em manuais. Considere DR quando aplicável e DPS conforme o nível de proteção da instalação.

5) 127 V vs 220 V: por que a bitola muda?
Para a mesma potência térmica, equipamentos em 127 V tendem a puxar mais corrente do que equivalentes em 220 V (P ≈ V×I×fp→ se V cai, I sobe), o que eleva a ΔV e puxa a bitola para cima. Ex.: há 12 k em 127 V com corrente máxima ~15,5 A em ficha técnica — típico de exigir 4 mm² em trajetos médios. Em 220 V o mesmo porte costuma operar com correntes menores. Cheque o seu manual.
6) Interligações entre evaporadora e condensadora
Além do cabo de alimentação que sai do QDC, há o cabo de interligação entre as unidades. Muitos sistemas são alimentados pela condensadora e pedem interligação com número/bitola de vias específicas + aterramento. O manual dita as bitolas/identificação corretas, e reforça: sempre faça conforme NBR 5410 e circuito independente.
Dois exemplos completos
Hipóteses comuns (para didática): cobre PVC 70 °C (B1), temperatura 30 °C, sem agrupamento significativo, cos φ ≈ 0,8, ida+volta ≈ 2× distância linear; limite ΔV 4%.
Exemplo A — Split inverter 12.000 BTU, 220 V, distância linear 15 m
- Corrente nominal (manual típico): vamos supor I = 7,5 A (valor real depende do fabricante).
- Ampacidade: 2,5 mm² (B1) suporta ≈ 21–24 A → ok.
- ΔV: V/A·km de 2,5 mm² ≈ 14,3; comprimento elétrico 0,03 km → ΔV ≈ 14,3×7,5×0,03 ≈ 3,2 V → 1,45% (ok).
- Conclusão: 2,5 mm² atende com folga. Disjuntor: calibre próximo à corrente de projeto e à seção escolhida (curva C mais comum em residências), lembrando requisitos de proteção da NBR 5410.
Exemplo B — Split inverter 12.000 BTU, 127 V, distância linear 25 m
- Corrente máxima (exemplo real de manual): ≈ 15,5 A para certas versões 12 k/127 V.
- Ampacidade: 2,5 mm² atende (21–24 A), mas ver ΔV.
- ΔV com 2,5 mm²: V/A·km 14,3; comprimento elétrico 0,05 km → ΔV ≈ 14,3×15,5×0,05 ≈ 11,1 V → 8,7% de 127 V (reprovado).
- ΔV com 4 mm²: V/A·km ≈ 9,0 → ΔV ≈ 9,0×15,5×0,05 ≈ 7,0 V → 5,5% (ainda alto).
- ΔV com 6 mm²: V/A·km ≈ 6,0 → ΔV ≈ 6,0×15,5×0,05 ≈ 4,65 V → 3,7% (aprovado).
- Conclusão: para 127 V/25 m, 6 mm² é a bitola correta neste cenário.
Moral da história: em 127 V o cabo “cresce” rápido por conta da ΔV, mesmo quando a seção de 2,5 mm² parecer suficiente.
Tabela útil de seção(residencial, referência rápida)
Cobre, PVC 70 °C — método B1/B2, 30 °C, valores típicos (NBR 5410):
| Seção | B1 – 2 cond. | B1 – 3 cond. | B2 – 2 cond. | B2 – 3 cond. |
|---|---|---|---|---|
| 2,5 mm² | 24 A | 21 A | 23 A | 20 A |
| 4 mm² | 32 A | 28 A | 30 A | 27 A |
| 6 mm² | 41 A | 36 A | 38 A | 34 A |
Fonte da tabela e dos fatores de ΔV (V/A·km) usados nos exemplos: material técnico de fabricantes de cabos (Nambei; PVC 70 °C, B1/B2).
“Checklist” de projeto (evita 95% dos erros)
- Anote o modelo exato e voltagem (127/220 V).
- Pegue a corrente no manual (nominal/máxima) do seu aparelho.
- Escolha a seção pela ampacidade (tabela B1/B2) e confirme ΔV ≤ 4% com o comprimento real do circuito.
- Dimensione o disjuntor (curva/tamanho) e garanta circuito dedicado.
- Preveja DR/DPS conforme a NBR 5410 e o nível de proteção do quadro.
- Siga o diagrama de interligação do fabricante (vias, bitolas e sequência dos bornes) — muitos equipamentos são alimentados pela condensadora.
- Aterre corretamente e respeite polaridades.
AWG × mm² (se o manual vier com AWG)
Alguns manuais (ou cabos importados) especificam AWG. Conversões úteis:
- 14 AWG ≈ 2,08 mm²
- 12 AWG ≈ 3,31 mm²
- 10 AWG ≈ 5,26 mm²
- 8 AWG ≈ 8,36 mm²
(A tabela é de referência; sempre confira o datasheet do cabo real.) Power and Cables
Erros comuns que fazem o disjuntor desarmar (e como evitar)
- Subdimensionar em 127 V (corrente maior → ΔV maior).
- Ignorar o comprimento (ida+volta) num trajeto de 20–30 m.
- Misturar cargas no circuito do ar-condicionado.
- Desconsiderar o método de instalação (B1 vs B2)
- Não aterrar e não prever DR/DPS quando requerido pela NBR 5410.

Fontes técnicas (para você validar e se aprofundar)
- NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão (trechos e material didático): limites de queda de tensão, proteção e divisão de circuitos.
- Tabelas de ampacidade e queda de tensão (PVC 70 °C, B1/B2) – materiais técnicos de fabricantes de cabos (inclui V/A·km e ampacidades por seção).
- Manuais de fabricantes de ar-condicionado – exigência de disjuntor dedicado e dados de corrente. Exemplos: Samsung (WindFree) e Midea/Springer (tabela com corrente máxima).
- Conversão AWG ↔ mm² – tabelas técnicas (General Cable).
Conclusão
Não existe “uma bitola única” que sirva para todo ar-condicionado: o modelo, a tensão (127/220 V) e, principalmente, a distância até o quadro é que mandam. Em 220 V, 2,5 mm² resolve uma boa fatia de 9–12 k; 18 k costuma pedir 4 mm² em percursos médios; 22–24 k pedem 4 mm² (ou 6 mm² se o trajeto for longo); 30–36 k tendem a 6 mm². Em 127 V, suba uma “casa” na seção e sempre confirme a ΔV ≤ 4%. Siga o manual do fabricante e as exigências da NBR 5410 (circuito dedicado, proteção e ΔV).
Perguntas frequentes (FAQ)
1) “Meu aparelho é 12.000 BTU/220 V. 2,5 mm² resolve?”
Na maioria dos casos sim, em trajetos curtos/médios e com ΔV ≤ 4%. Confirme a corrente no manual e calcule a queda de tensão do seu percurso. Se ΔV estourar, suba para 4 mm².
2) “Por que em 127 V quase sempre a bitola cresce?”
Porque, para a mesma capacidade térmica, a corrente é maior em 127 V; ΔV depende de I e do comprimento, então o cabo precisa “engordar” para manter o limite de 4%. Há 12 k/127 V com ≈ 15,5 A máximos — típico de pedir 4–6 mm² em percursos médios/longos.
3) “Posso usar o mesmo circuito de outra carga?”
Não. Fabricantes exigem disjuntor dedicado e a NBR 5410 orienta a correta divisão em circuitos e proteção por sobrecorrente/curto. Circuito exclusivo evita quedas de tensão e disparos indesejados.
4) “Qual disjuntor eu escolho para meu ar-condicionado?”
A corrente do disjuntor depende da corrente de projeto e da seção do cabo, além da curva apropriada (C é comum em residências). O manual do fabricante do ar-condicionado muitas vezes sugere faixas de disjuntor — respeite a NBR 5410 para proteção.
5) “A bitola do cabo de interligação (entre unidades) é a mesma da alimentação?”
Nem sempre. O manual especifica número de vias/bitolas. Também define se a alimentação entra pela condensadora (muito comum) ou pela evaporadora.
6) Posso usar fio de 1,5 mm² para ar-condicionado?
Não é recomendado, mesmo para aparelhos pequenos, devido ao risco de aquecimento.
7) O fio pode ser o mesmo para a tomada comum do quarto?
Não. O ar-condicionado precisa de circuito exclusivo.
8) Preciso contratar eletricista?
Sim, é altamente recomendado para garantir segurança e conformidade com as normas.